17 de abril de 2011

Pensamentos Amenos


Gosto das tardes de domingo. Bom, desde criança que prefiro os sábados exclusivamente porque não antecediam de imediato a segunda-feira. À medida que os anos foram passando e devido ao divórcio dos pais, o domingo passou a ser o dia em que almoçamos em família ou - e gosto mais desta vertente - almoço com a mãe.
Hoje não foi exceção. Almocei com a mãe e com o mano. Disse-nos, pela primeira vez, que está a pensar em assentar, casando e construindo uma família com a pessoa com quem namora. Fiquei estupefacto. Não que ele fosse totalmente avesso à ideia de casar, mas sim porque a fama (e o proveito...) de D. Juan não o largam. Modéstia à parte, o meu irmão é muito giro. Sai ao pai, pai dele, uma vez que somos filhos de pais diferentes. O pai dele é um cinquentão bem charmoso e quando era mais novo era giríssimo. Desde que namora com esta rapariga, o Pedro anda diferente. Mais caseiro, familiar e até mais simpático. Deve ser o amor...
Falámos da minha ida ao Jardim Zoológico (lembram-se?). Não ficou esquecida. Gostava de ir com os manos, apesar de saber que a vida profissional deles não é compatível com aquilo que peço. Queria recordar os nossos passeios quando eu era criança, aquilo que me divertia e brincava. Creio que vivo muito do meu passado. Aliás, às vezes dava tudo para que o tempo voltasse para trás, mesmo sabendo que é impossível. Tento, então, reconstruir os pedaços da minha infância. É, de certo modo, injusto. Há milhões de crianças que nunca tiveram uma infância. Eu tive e foi muito feliz. Não é justo que queira viver duas vezes o mesmo quando há quem nunca o tenha vivido. A mãe deu-me a sua palavra. Disse que irá comigo. O Pedro ficou de confirmar.
Durante o almoço, dei por mim a pensar na ideia de convidar o R. Seria imensamente divertido. Poderia apresentá-lo ao Pedro. Tenho quase a certeza de que ele não refutaria a ideia se lha expusesse. Aceitaria, sei que sim, para mais sabendo que teria alguma importância para mim. Quem sabe...
Depois do almoço, o Pedro teve de se ausentar. Teve de ir a qualquer lugar com a namorada. Recordei-me dos ciúmes que tive dela, sobretudo após o divórcio. O Pedro representou o pai que se afastou, que foi para longe. Foi ele o homem lá de casa quando o homem lá de casa saiu. Não que o pai fosse autoritário. Nada disso. Nem em sombras. Porém, era a figura masculina por excelência, mais o Pedro, porque eu... Pois... Quando o Pedro começou a namorar com ela, senti-a como uma rival, alguém que mo roubava. Odiei-a tanto e ela sabe-o. Ainda hoje não gosto dela. Assumo-o, mas compreendo e respeito o seu lugar na vida dele. A réstia de esperança de uma separação, essa, ninguém ma tira... Toda a família sabe, a mãe sabe, o Pedro sabe e até o pai dele sabe: eu tenho ciúmes doentios pelo meu irmão. Gosto demasiado dele. Por isso, nunca gostei de nenhuma namorada das várias que já lhe conheci.
Comi um gelado com a mãe numa gelataria e voltámos para casa.
Gosto destes dias aparentemente banais. Raramente estou com a mãe desde que a faculdade começou. Temos horários diferentes e há dias em que não jantamos juntos. Sinto-a a entrar no meu quarto para me dar um beijo de boa noite.  É o sinal da hora a que chegou.
Temo que o Pedro se case. Não lho disse, mas sinto-o. Esta rapariga chegou e vai levá-lo de vez. Terá filhos e gostará mais deles do que de mim. O pai também já gostou mais de mim.
É esta a lei da vida. É esta uma lei injusta.

12 comentários:

  1. é uma situação complicada esse amor que tens pelo teu irmão. mas tens de perceber que a vida é mesmo assim. é claro que ele te ama e vai continuar a amar. já ouvis-te falar em amores diferentes? eheh :P
    Brincadeira. apresenta-lhe o R. acho que o R. é que vai fazer com que cresças mais um bocadinho assim xD
    Abc

    ResponderEliminar
  2. Calma!
    Para o teu mano continuarás a ter o teu lugar no seu coração. Estou certo que também o tens no do teu pai.
    Tenta é conviver melhor com a namorada - tua futura cunhada. Assim, o nº de atritos será menor. Todos precisamos uns dos outros. Sabes,... quem me dera ter um irmão (tive, nasceu e morreu antes de que eu nascesse).

    Abraço.

    ResponderEliminar
  3. Não é uma lei injusta, Mark; é a lei da vida.
    As pessoas não permanecem imutáveis e numa família é normal a ramificação, mesmo no caso de se ser homossexual.
    Quem sabe se tu um dia não encontras a pessoa certa e abandonas a casa da tua Mãe para viveres a tua vida?
    Isso é o normal e não podes ter ciúmes da tua futura cunhada; se gostas do teu irmão deves ficar feliz com a sua felicidade...

    ResponderEliminar
  4. Tomás: Eu sou crescido. (: E, sim, já ouvi falar em amores diferentes. (:

    Paulo: Lamento o que sucedeu ao teu irmão. ):
    Pois, eu quero acreditar que sim e tenho a plena noção de que o que sinto é errado, mas ainda não consegui desligar-me daquilo que sinto...

    Pinguim: Exato, a rapariga até é querida para mim e trata-me com consideração e respeito - até mais do que aquele que mereço, diga-se. Apesar de saber isso, não consigo encará-la de forma natural. Não consigo abdicar do Pedro.


    Abraços a todos. ^^

    ResponderEliminar
  5. Acho perfeitamente natural o amor que nutres pelo teu irmão, eu sou irmão gémeo e admito que não curto muito a minha cunhada... ela roubou o tempo que o meu irmão dedicava a conviver comigo. A única coisa que ele agora faz no tempo livre é estar com ela... De qualquer das formas, sei por experiência própria, que quando tiveres o teu amor, a tal pessoa que te preenche, darás menos importância a isso e estarás feliz e ocupado a construir a tua vida com essa pessoa =)
    É a lei da vida.

    Abr

    ResponderEliminar
  6. Miguel: Tens um gémeo? Que giro. (: Eu também adorava. Diz-me uma coisa: é verdade que o "tamanho" é igual nos dois? Ahahahah :P
    O meu irmão protegia-me, acarinhava-me... Ainda o faz, mas desde que a tem que está um pouco diferente, talvez mais distante.
    Bom, tu compreendes-me. (:
    Abraço.

    ResponderEliminar
  7. Tenho um irmão gémeo e sou gémeo de signo, ou seja, sou gémeo ao quadrado, pretty special =p
    Quanto ao tamanho dos ditos cujos não te sei responder, até porque nunca vi o meu gémeo teso... mas se for como eu, está bem servido ahaha
    =)
    abr

    ResponderEliminar
  8. Miguel: BIG LOL!
    Não perguntava com o detalhe da, oh God!, excitação. LOL Perguntei se eram iguais, fosse em que estado fosse. (:
    Era uma dúvida. Tenho uma amiga cujo namorado tem um gémeo e ela fez-lhe exatamente a mesma pergunta. Ele respondeu-lhe que sim, mas nada como perguntar na primeira pessoa. (:

    ResponderEliminar
  9. Não vou acrescentar nada de muito especial ao que foi dito! Apenas digo-te que compreendo o que escreves. Quando alguém de quem gostamos muito se afasta com esta razão, temos tendência a ver as coisas desta forma. Também se passa comigo!
    Mas há que ficar contente com o facto de isto acontecer, porque um dia vais querer que eles fiquem quando fores tu a casar e a sair de casa e afastares-te um pouco!
    Ah, e convida o R. quando fores ao zoo. Tu já conheces a família dele (um dos posts que mais gosto neste blog, devo confessá-lo), agora é altura de ele conhecer a tua! :)
    Abraço,
    Ikki

    ResponderEliminar
  10. Ikki: Tens razão em tudo o que dizes.
    Eu gostava imenso de o apresentar ao Pedro. Seria quase como um "agora é ele que trata de mim...". Ando a meditar na ideia.
    Abraço e obrigado pelo carinho que demonstras ao seguir tão de perto o meu espaço. ^^

    lots of love

    ResponderEliminar
  11. O Amor existe sob muitas formas e existem laços que nunca se poderão quebrar. O amor que nutres pelo teu mano é um deles.

    Fazes-me lembrar o amor entre Ritsuka e Seimei, o protagonista e o seu irmão na minha anime e manga favoritas. [Loveless]

    Nunca duvides do amor que o Pedro nutre por ti. Ele pode casar, ter filhos, mas tu serás sempre o menino dele. :D

    ResponderEliminar

Um pouco da vossa magia... :)