4 de abril de 2011

Dissertação Sobre o Estudo e Mais Qualquer «Coisa»


Para a semana tenho dois testes daqueles bem complicados. Bom, não é que os restantes sejam fáceis. É evidente que não, todavia, para a semana tenho testes àquelas cadeiras que são consideradas nucleares para o primeiro ano. De tal forma nucleares que li, para uma delas, bem mais de mil páginas e, para a outra, perto de mil. Felizmente adoro ler. Nunca foi um problema, aliás, é um enorme prazer. Sou um ávido leitor de tudo o que surge diante de mim. Admito mesmo que tenho um prazer, confesso, em ler. Claro que sou um pouco eclético no que diz respeito às minhas leituras, mas também leio revistas do social! Não tenho quaisquer preconceitos.
Já referi uma vez no blogue que estudo uma média de quatro horas por dia. Raros são os dias em que dispenso o estudo. Pessoalmente, estudar não é uma obrigação: é uma vontade, uma enorme e agradável atividade que estimula bastante a minha capacidade criativa e intelectual. Se parasse, certamente morreria. Eu estudo nas férias, dando como exemplo.
Claro que na faculdade há de tudo: há quem estude, há quem não o faça; há gente estúpida - na real acepção da palavra - e há gente inteligente que se aplica. Uns estarão, eventualmente, vedados a determinadas escalas de conhecimento e de sabedoria. As capacidades não são idênticas em todos e quem disser o contrário, mente. Contudo, uma boa dose de estudo é parte substancial do trabalho. Ter aptidões não chega; é preciso desenvolver e aproveitar tudo o que temos por inerência. Se não estudasse, sentir-me-ia subvalorizado. Por isso, quem tem capacidades aproveite-as quanto antes, que o país não «está para brincadeiras».
Para além do referido anteriormente, sou extremamente organizado. Faço extensos resumos da matéria lecionada com o apoio dos manuais utilizados. Os meus resumos assemelham-se a livros. Já mo disseram e começo a acreditar. Tento, também, conhecer as opiniões de vários autores, uma vez que no Ensino Superior, contrariamente ao que se passa no terrível Ensino Secundário, valoriza-se muito a capacidade crítica e discordante relativamente à opinião dos professores. Não importa anuir: importa pensar. E pensar é o que cada vez menos se faz neste país. As pessoas deixam-se levar pela corrente e perdem a capacidade crítica, caindo no conformismo que, em Portugal, assume proporções inimagináveis. Torna-se progressivamente mais difícil manter uma conversa séria e lúcida com alguém sem que se toque no futebol, na demagogia política, vulgo politiquice, e nas intrigas que, aqui e ali, pairam na sociedade.
Em jeito de concretização (ainda) mais pessoal e, sem dúvida, mais apetecível, combinei uma tarde de estudo com o R. Ele anda com dificuldades em algumas cadeiras e solicitou a minha ajuda. Para que não se sentisse muito mal, disse-lhe que era uma forma de também aprender mais qualquer coisa. É sempre bom estudar com colegas. Mentira piedosa é punível? Kant diria que sim...
Fez-me uma festinha no rosto. Não sei se terá alguma relevância, se não, mas acho que deveria dizê-lo, afinal, vocês têm acompanhado a «saga». Não atribuí qualquer importância ao gesto. Começo a ganhar defesas a estas manifestações intencionais (?) de carinho por parte de determinadas pessoas.
Ele ganha uma tarde de estudo. Eu perco uma tarde de estudo.
Somos colegas.
Parece-me razoável. 

14 comentários:

  1. Realmente esta reacção dogmática adoptada pelos cidadãos portugueses é completamente absurda, sem sentido e é por essa razão que o País está no estado que está.

    Quanto ao R, boa sorte com o estudo!

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  2. O R. começa-me a causar comichão. Se é hetero, e não tem interesse em ti, simplesmente não deveria fazer festinhas no rosto. roça a condescendência ou manipulação... não sei. Estou a ser injusto?

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  3. Obrigado, Lobo.

    Speedy, acho que roça a bissexualidade mal assumida ou recalcada...
    Humm, manipular-me não acredito sequer que o pensasse. Ele sabe bem que jamais me enganaria.
    Bah!, ajudo-o por uma questão de solidariedade e porque, se posso fazê-lo, devo-o fazer. É tão e simplesmente fazer "o bem". O que terei a perder? Nada! Da parte dele já não posso dizer o mesmo...

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  4. Bem, eu também tenho manifestações de afecto a um colega meu e nunca passei daí, não roça bissexualidade mal assumida nem manipulação. É apenas a expressão de algum carinho que sinto por ele. Vocês nunca gostaram de alguém mas não avançaram, nem deram "trela" por saberem que no fundo não iria funcionar? Eu acho que é isso que o R. sente por ti. É exactamente o que eu faço com outra pessoa. E admito que já houve fases em que ele me odiou, mas enfim, há aquela coisa esquisita, chamem-lhe atracção, química, o que quiserem... existe simplesmente e um dia controlamos, outro não. E eu sei que já o magoei com isso, se bem que ele tal como tu, está mais imune, ou pelo menos APARENTA estar...
    Pensa nisso.
    abr

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  5. Miguel, quero acreditar que foi uma manifestação de carinho da parte dele.
    Abraço.

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  6. Didier Dumas defende que todos somos bissexuais. Concordo com a perspetiva do autor. Mas o importante é sem dúvida a existência de afeto.
    Dar a mão a um colega com dificuldades é um ato de rara beleza. Por isso, parabéns.
    Abraço.

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  7. Paulo: Eu tenho a mesma opinião, com algumas reservas, claro. Todavia, acredito que o "ideal" heterossexista é-nos imposto pela sociedade.

    Obrigado pelas palavras. :)

    Abraço.

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  8. Como também sou apologista de que todos somos bissexuais, não me custa admitir que o R o seja.
    Mas vou mesmo mais longe e acho que seja um homossexual ainda não assumido consigo próprio.
    Já o viste a ter atitudes de "conquista" ou de grandes falas sobre miúdas?
    Ele não avança mais, pois tu, não por uma questão sexual, mas por uma questão social, o afastas, mesmo que não dês conta disso. Nunca lhe demonstraste qualquer interesse sexual real, ou seja também nunca deste um passo efectivo para se entenderem sexualmente.
    Estarei enganado?
    Eu tenho uma imensa simpatia por ti...e pelo R também...

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  9. Não tenho a certeza de ter validado o comentário que escrevi antes; se acaso estiver repetido, elimina este, ok?

    Também concordo que todos somos de alguma forma, bissexuais.
    Mas no caso do R, penso que será mesmo homossexualidade não assumida por si próprio; já o viste a cortejar uma miúda ou a falar constantemente nelas?
    O que ele precisa é de um empurrão e tu sempre recusaste em dar-lhe essa ajuda, não por razões sexuais, mas sim por razões sexuais.
    Eu simpatizo muito contigo, mesmo muito; mas também simpatizo com o R. E tenho pena de que, por razões não afectivas, possas estar a perder o amor da tua vida.
    Afinal o amor resulta sempre melhor quando as duas pessoas são bastante diferentes, pois complementam-se muito bem - basta haver cedências mútuas.

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  10. Pinguim: Sim, já o vi a ter manifestações de carinho com miúdas, mas nunca nada de muito explícito.
    Talvez tenhas razão. Talvez o afaste por algum preconceito social, não sei... Confesso que agora me deste no que pensar. Quem sabe se lhe mostrasse algum interesse ele não corresponderia?
    Querido, sabes que o carinho e a simpatia são totalmente recíprocos. :)
    Abraço.

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  11. Estou em sintonia com o que escreveu o Pinguim!
    O meu entusiasmo pela possibilidade da vossa relação já é por demais conhecido aqui dos comentários! E tu até já me deves achar repetitivo e maçudo!
    Mas esta manifestação da parte do R. é um avanço algo significativo! Pelo que escreveste anteriormente sobre ele, eu diria que ele não era rapaz para este tipo de "carícia". Esta minha interpretação está correcta, certo?
    Pode ser que ainda se concretize aquilo que eu desejo! Vocês dois juntos! :)


    Abraço,
    Ikki

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  12. Ikki: Não te acho nada maçudo ou repetitivo, antes pelo contrário: és bastante simpático. :)
    Sim, também fiquei um pouco admirado com a ousadia dele, mas sabes, levei para a brincadeira e creio que ele também.

    Abraço. ^^

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  13. Ocorrera-me que ele poderia ser algo manipulador, mas como descartaste logo essa hipótese acho que foi apenas uma manifestação de amizade.
    O que o Miguel escreveu é uma grande verdade, por vezes é da natureza das pessoas manifestações de afecto, mesmo para com pessoas do mesmo sexo, sem sem que isso tenha um componente sexual.

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  14. Coelhinho: É o chamado "bromance". (: Sim, manipulador ele não é, de certeza. ^^

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Um pouco da vossa magia... :)