2 de novembro de 2010

Exposição de Uma Ideia Válida


Esta semana começam as avaliações, ou seja, os testes. E começam todos uns perto dos outros. Parece que os professores combinaram as datas. Eu não estou muito preocupado até porque tenho estudado bastante. Numa das cadeiras, estivemos a estudar vários filósofos, tanto do período greco-romano, quanto dos períodos medieval, moderno (liberal) e mesmo contemporâneo. Grande parte desses filósofos já eram do meu conhecimento, devido ao facto de eu ter passado longas horas da minha vida na biblioteca da casa da avó. O avô, até mais do que a avó, tem um nível de sapiência e cultura admirável. Nomes como Sócrates, Platão, Maquiavel, Locke, Rosseau, Montesquieu, entre muitos, não são novos para mim. Li Do Contrato Social de Rosseau e O Princípe de Maquiavel, por exemplo, com apenas doze, treze anos, logo, à partida, levo uma vantagem acidental sobre os meus colegas. Estes detalhes também em muito influenciaram a minha personalidade e, por consequência, a minha forma de olhar o mundo e até de escrever. Parece simbólico mas é um facto. A avó desesperou quando li O Capital de Karl Marx. Pensou, naturalmente, que o neto virasse um perigoso activista de extrema-esquerda. Teve sorte. :)
É claro que sinto um friozinho na barriga ao sentir o peso da responsabilidade a aproximar-se. Dizem, nomeadamente os actores, que esse frio os acompanha até à última peça, mesmo que a estreia tenha acontecido há mais de cinquenta anos. É inevitável.
Todavia, eu gosto de aprender, de saber cada vez mais. Creio que é uma - talvez mesmo a melhor - qualidade que tenho. A vontade inesgotável de saber mais. Utilizo a liberdade que tenho para aprender. Outros utilizarão essa mesma liberdade para as suas aventuras, devaneios e loucuras sadias. Eu não. Mesmo em tempos lúdicos, os livros acompanham-me para onde for.
Hoje não vi o R.. Provavelmente faltou devido ao feriado ou preferiu economizar as energias para o teste. Não lhe enviei nenhuma mensagem. Não quis. Mais uma vez, agi segundo a minha liberdade. E ela disse-me para não o fazer. Talvez a liberdade dele lhe tenha dito o mesmo. Contudo, a tarde de estudo continua válida e dir-lhe-ei as minhas ideias logo que o veja. Sinto que ele necessita e, sem qualquer intenção, cá estarei para o ajudar. Já vou ganhando fama de inteligente por lá, mas isso é outro assunto. :)
Daqui a uns anos olharei para tudo com carinho.
Pode ser que olhemos para tudo com carinho.

8 comentários:

  1. ui, um passo de cada vez amigo. Esses pés bem assentes na terra

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  2. Hummm... admiro a tua capacidade de ler, infelizmente na minha família nunca houve um biblioteca pessoal tão bem recheada como a da tua avó! :)


    abc

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  3. O Capital de Marx?!? Só de pensar já sinto o início de uma reacção alérgica. Ao menos não foste nessa lavagem cerebral.
    “The inherent vice of capitalism is the unequal sharing of blessings; the inherent virtue of socialism is the equal sharing of miseries.” – Winston Churchill

    Boa sorte para os testes :D

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  4. Ler o Príncipe com 13 anos ou o Contrato Social, não considero eu um sinal especial. Não são livros para essa idade e podem deformar o caracter.Do Mesmo modo que não se lê o Manifesto do Partido Comunista aos 7 anos na escola primária. A ideia que Maquiavel pode ter criado na tua mentalidade de pré adolescente certamente não terá sido das melhores. A forma como afirmas isso, dá um ar dandy sobre os desggraçados incultos dos teus colegas. Com 13 anos, experimentam-se outras coisas. Vadia-se, fuma-se, charra-se etc.
    Coisas que aos 45 já não se fazem. Acabou-se o tempo.
    Li o Principe a primeira vez com 20 anos. Reli a versão Europa América, com os comentários de Napoleão. E toda Ciencia Politica de Maquiavel - do qual é ele o pai - vai no sentido de na Politica não haver ética, matar-se o inimigo etc.
    Para uma criança de 13 anos....... acho os livros da Isabel Alçada mais apropriados

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  5. Speedy: Estão assentes. :)

    O meu reflexo: Muito obrigado! :)

    Sete: Eu adoro ler. É uma das minhas grandes paixões. :) Abraço.

    Francisco: Churchill era, sem dúvida alguma, sensato e ponderado. :) O Capital também me provocou uma reacção dessas. Não foi só a ti. :)
    Abraço sentido.

    Sôfrego: Concordo contigo, mas que culpa tenho eu de não gostar de livros do género "Uma Aventura"? :) Nunca me seduziram. Esqueci-me de referir que o meio em que vivi era - e é - essencialmente adulto. Logo, moldou a minha personalidade. Mas vê uma coisa: o facto de lermos certos autores não significa que concordemos com eles. É evidente que não concordo com Maquiavel, mas gostei e não me arrependo de conhecer as suas teses. Conhecer não ocupa lugar. :)
    As minhas leituras não tiveram uma influência negativa, não obstante a tenra idade. O olhar crítico foi dominante, bem como a razão e o humanismo. :)

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  6. És uma pessoa autodidacta em que a cultura não te foi imposta, mas sim procurada por gosto.
    E tens os pés assentes na terra!
    Duas qualidades, na minha maneira de ser, que irão fazer alguém, um dia, muito feliz.

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  7. Pinguim: Obrigado pelas tuas palavras sempre tão generosas e afáveis. És um amor de pessoa. :)
    Abraço.

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Um pouco da vossa magia... :)