12 de outubro de 2010

Comunismo, Capitalismo, Abismo


Que a Europa e o mundo, de um modo geral, caminham para o fim não é novidade para ninguém, creio. Os modelos estão esgotados, as sociedades estão desgastadas, o Estado Social morre a cada dia, os extremismos ressurgem vindos do nada...
O Comunismo idealizou uma sociedade sem classes, igualitária, assente no predomínio estatal, na propriedade comum e no controlo efectivo de todos os meios de produção. O comunismo em si, a sua génese, começou antes do seu grande impulsionador, Karl Marx. Robert Owen e Saint-Simon já preconizavam um modelo assente nestes moldes socialistas. Mais moderado, é certo, Saint-Simon (1760-1825) defendia um socialismo de base cristã, a propriedade privada e até mesmo o bem estar social. Como podemos observar, o extremismo veio depois. A verdade é que o socialismo e a sua concretização ou o seu ideal - o comunismo - tiveram aplicações práticas já no século XX, com a corrente marxista, nomeadamente no Império Russo em 1917, posteriormente URSS, assim como em todos os países que adoptaram o modelo soviético ou se inspiraram nele.
O Capitalismo nasceu com a Revolução Industrial Inglesa e assenta predominantemente no domínio da propriedade privada. Com a Revolução Industrial, a economia mundial mudou. Surgiram fábricas, o sistema bancário moderno, o operário e as suas condições de trabalho, a extrema valorização da moeda como motor da Humanidade. As trocas comerciais ganharam um ritmo nunca antes alcançado com a liberdade dos mercados e o liberalismo económico. As antigas ordens sociais deram lugar às novas classes sociais com mobilidade dentro da própria sociedade. Já não importa em que seio nascemos, mas sim que patamar de poder e prestígio atingimos. É o domínio socio-económico da classe burguesa, quadro que se mantém até aos dias de hoje no mundo ocidental.
Com a queda do modelo soviético, a supremacia do Capitalismo vingou. Porém, o modelo está a esgotar-se mais rápido do que o imaginado. As estruturas de suporte ao sistema moderno ocidental dão sinais de ruína. Podemos dizer que o Capitalismo enfrenta a sua mais dura crise de que há memória.
Pois bem, se os modelos estão esgotados, qual será a saída para a crise de valores que atravessamos? Não sou optimista por Natureza, mas também não sou pessimista. Apelido-me de realista. A Humanidade caminha para o abismo. Que engraçado: o sufixo é o mesmo. É a ruptura, o verdadeiro fim. Não me peçam datas. Não sei quando acabará, mas seguramente não será com uma invasão alienígena ou com um terramoto planetário. O Homem basta-se para se destruir a si próprio.
Que se comecem a escrever livros sobre o nosso próximo modelo económico: o Abismo.

5 comentários:

  1. Está difícil arranjar uma forma de nos governarmos que funcione. Que esse "Abismo" seja uma breve tempestade antes da bonança...

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  2. História, Política, Economia e Futuro. Adoro quando falas sobre estes temas. Falas muito bem!

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  3. Uma lição das grandes correntes económicas desde o séc XIX até aos nossos dias.
    A crise mundial que se vive e que atinge principalmente os países capitalistas menos desenvolvidos vai decerto atingir mais tarde todo o sistema capitalista.
    Hoje duvido fortemente da eficácia da UE tal como está actualmente a ser gerida, pois fere de morte os países mais pequenos.
    É curioso que hoje publiquei um post com um vídeo que é a denúncia de todos os males que assolam um país - o México - mas que poderia ser um outro qualquer, entre os quais Portugal.
    A própria soberania nacional está em perigo, pois hoje já não mandamos no que é nosso...

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  4. O Capitalismo não está esgotado e irá sobreviver. É o melhor sistema até hoje, tal como se diz da Democracia, e sinceramente não vejo o aparecimento de outro capaz de o substituir. Claro que o Capitalismo tem defeitos, mas que podem ser resolvidos visto que são defeitos não estruturais, não na sua génese. O Comunismo por sua vez tem um grave problema estrutural e que se manifestou na História através de muitos outros problemas – é uma utopia.
    Não justifico melhor esta minha opinião aqui porque este tema dava para um longo debate mas de qualquer maneira é positivo que se fale no assunto.
    Um abraço.

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  5. Sim, Francisco, mas o Capitalismo, para sobreviver, necessita de passar por uma reflexão profunda. Desta forma não imagino um cenário muito feliz. O Capitalismo cada vez mais assume uma postura selvagem e agressiva, aumentando gravemente os problemas sociais.
    O mundo precisa de um ponto de equilíbrio.

    Um abraço. :)

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