19 de setembro de 2010

A Identidade


Hoje fui fazer umas compras, nomeadamente roupa. Gosto de iniciar a rentrée com artigos novos. Digamos que é um hábito que adquiri há alguns anos. Comprei umas coisinhas interessantes. Um casaco fantástico, cinzento, com uns acabamentos que lhe dão um ar requintado. Depois, comprei aqueles artigos básicos: camisas, gravatas, calças, camisolas, um perfume com um aroma a Outono e mais uns acessórios. Fui com a Só, uma amiga dela e o Martim. Percorremos imensos lugares. Desde o Colombo (que mania a Só tem de gostar daquilo!), ao Amoreiras, passando pelo El Corte Inglés, foi uma tarde que deu para todos os gostos e feitios.
No meio de tanta compra, resolvemos comer alguma coisa. Escolhemos o salão do El Corte Inglés. Falámos de diversos assuntos, com especial destaque na minha entrada na faculdade. Conversa puxa conversa, e a amiga da Só falou-me das imensas festas que, na opinião dela, tenho pela frente. Disse-lhe a verdade: tenciono ir a algumas, embora não me suscitem muito interesse, até porque as festas universitárias têm imenso álcool e eu sou um abstémio convicto. Para além disso, gosto de ir aos meus próprios eventos e àqueles que são organizados por pessoas com as quais tenho intimidade. Quando a menina me sai com esta pérola: «Não bebes álcool? Vão achar-te muito estranho! Tens de beber para pertenceres ao grupo, não te esqueças, 'tá? Eu já passei por isso...».
Vê-se logo que não me conhece minimamente. Desde quando eu faço o que todos fazem só porque é cool? Detesto essas pessoas que não têm identidade própria. Abdicam da sua forma de ser e estar apenas para pertencerem a um todo igual, uma mancha em que ninguém se distingue de ninguém. Nós somos diferentes e é nessa diferença que consiste a diversidade humana.
Nunca por nunca gostei de pertencer a esse todo homogéneo e igual. Aliás, sempre rumei contra a maré e, apesar de não ser nem motivo de orgulho, nem motivo de vergonha, faz parte de mim. Sou assim desde que me conheço. Se ela quer ser igual, força. Não critico mas, por favor, não dá para mim. E até nisso fui diferente. Disse à criatura o que pensava na cara dela. Não deve ter gostado muito de ouvir. Paciência. Até a vulgaridade tem limites. Imagino... Deve beber o que todos bebem, vestir o que todos vestem, falar como todos falam, ir para a cama com os rapazes com quem todas vão... Que pessoa tão interessante!...
Isto não são pessoas: são fotocópias!

7 comentários:

  1. Pois te apoio. Acho tão chato isso de pessoas serem iguais para agradarem. Parabéns pela autenticidade.
    Beijos.

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  2. em primeiro lugar, sermos nós próprios. odeio rebanhos.

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  3. Obrigado, Juci. :) Beijinho.

    Speedy, és como eu. Detesto pessoas que fazem tudo igual aos outros só porque "os outros fazem".
    E, pior, tentam levar-nos na cantiga...

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  4. Não podia estar mais de acordo. Aliás acho que já fiz este “discurso” diversas vezes a vários amigos e colegas. Ainda hoje o fiz só que referindo-me às praxes. Coisa, na minha opinião, mais retrógrada, inútil e infantil, em que obviamente não ponho os pés. Não é por um “jovem-adulto-heterossexual-inseguro” precisar de se sentir homem que me vou sujeitar a humilhações. É que aquilo é mesmo só para humilhar, para se sentirem superiores e seguros de si mesmos.

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  5. Exactamente, Francisco. Eu também não gosto das praxes académicas. Acho um ritual totalmente desnecessário. É uma forma de "integração" no mínimo estranha... Já para não falar nos abusos que por vezes acontecem. Autênticos crimes disfarçados de brincadeira.

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  6. Acho que a maioria compartilha dessa opinião.
    As pessoas tem a mania que e preciso pertencer a certos grupos e fazerem parte do culto deles para serem reconhecidas e fazerem parte dos cool. O problema e que se não o fizerem sao postos a parte e ignorados.
    Ainda bem que alguns estão a acordar para a realidade e a serem eles próprios.

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  7. Sim, até é compreensível o receio dessas pessoas. Mas têm de ter confiança nelas próprias. É na nossa individualidade que está o nosso maior trunfo! :)

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Um pouco da vossa magia... :)