17 de agosto de 2010

Ondas do Mar



Ontem foi o meu primeiro dia de férias. Bom, férias a sério, porque já estou de férias desde o término das aulas. Já tinha ido à praia duas vezes, mas foi tão desinteressante, devido ao facto de ter escolhido dois dias da fantástica primeira quinzena de Julho. Dois dos piores dias, por isso, ontem foi oficialmente o meu primeiro dia. Confesso que o que mais gosto na praia é o mar. Adoro sentir as ondas a baterem-me na pele. Toda a força e o poder do mar. Gosto de olhar o mar até perder de vista o seu fim. A sensação de infinito é surpreendente, mesmo sabendo que do outro lado do mar existe sempre terra (ou quase sempre...). A praia estava agradável, uma vez que não estavam assim tantas pessoas. Coloquei o meu protector solar, de factor elevado, e estendi a minha toalha sobre a areia. É claro que não aguentei muito tempo até ir à água. Entrei bastante bem, até para mim, que costumo fazer imensas caretas para entrar. Estava morna, morna mesmo. Tão saborosa. Mergulhei e não evitei uma risada de alegria.
"Se morresse agora, morria feliz...", foi o pensamento que invadiu a minha cabeça. Estive cerca de uma hora na água. A mãe já estava impaciente. Também, não há protector solar que resista a tanta exposição à água. Estavam algumas pessoas na água, mas eu, geralmente, sou muito distraído e não presto atenção a quem vem e vai, e sou assim mesmo no quotidiano. Estou eu e não me importo com quem está ou não. Notei, no entanto, que um rapaz olhava para mim insistentemente. Era moreno, já estava bastante bronzeado e tinha os cabelos escuros. Não era muito atlético, mas notavam-se uns abdominais que queriam nascer para o mundo. Não dei importância e continuei nos meus mergulhos. Começou a aproximar-se de mim a sorrir.
"Que lata!" - pensei.
Mergulhou e, ao emergir da água, disse-me um "Olá" sorridente e meigo. Correspondi da mesma forma.
Bom, passado um bocado estávamos a falar da praia, da temperatura da água e a mergulharmos na rebentação das ondas. Perguntou-me o nome.
-"Mark." - respondi-lhe, porém, não perguntei o seu.
-"Eu sou o Pedro. Mark, que nome giro. É inglês ou quê?" - questionou-me.
-"É, nasci na Inglaterra..." - disse, sorrindo. Deu-me tanto gozo inventar isto, mas senti-me culpado por estar a mentir. Mas também, não se pode dizer tudo a um estranho. Falámos e falámos e constatei que estava a prolongar o seu tempo na água. Não demorou muito para que eu saísse. Ainda o vi a caminhar em direcção à sua toalha e reparei que estava sozinho. Fiquei a olhar para ele durante uns momentos, com a cabeça deitada na toalha. Sorri, não sei se da situação, se da historieta que contei. Provavelmente nunca mais o verei. Foi mais um encontro imediato de terceiro grau. Hoje fui à praia de manhã cedo. Não o vi. Será que o verei amanhã? :)

9 comentários:

  1. Estes encontros fortuitos são de longe os mais interessantes...
    E digam-me lá se não é muito mais interessante "isto" acontecer numa praia para toda a gente, do que por exemplo na 19...
    Nesta última, não tinha piada nenhuma.
    Espero que o voltes a encontrar.

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  2. ola', encontrei o teu blog e gostei.. :P
    estou a seguir.
    esta historia do texto é realmente algo estranho..
    uma pessoa pos conversa contigo na praia??
    eu achava muito estranho**

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  3. Bem, parece-me que tens sempre a sorte de encontrar e ser abordado por um rapaz. Gostei da maneira de te fazeres dificil e de não te "atirares de cabeça", foste cauteloso e não deste demasiada confiança.
    Eu sei que não é da tua personalidade, mas um dia devias experimentar soltares-te um bocadinho, para ver o que acontece, com moderação é claro.

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  4. Quando éramos mais novos, era usual metermos conversa com toda a gente e ficávamos logo os melhores amigos. Pode ser que esta aproximação dele seja totalmente inocente... ou não :). Abraço

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  5. Pinguim: Também acho. Nunca fui à 19, mas já ouvi falar. Não deve ser um lugar muito interessante, mesmo. Abraço, amigo.


    Pi**: Já aconteceu algumas vezes. Eu devo ter uma espécie de íman. :S
    Mas, acredita, nunca sei como reagir.


    André: Pois é, parece que é sorte mas, às vezes, é constrangedor. E logo eu, que estou no meu cantinho e não reparo em nada. Todavia, tens razão. Um dia vou meter mais conversa. :))


    Speedy: De facto, tens razão, pode ser um acto inocente. :) Gostava de revê-lo.
    Oh, tenho a certeza que ainda és bastante novo, pelo menos de espírito, que é o que importa. :))
    Abraço.

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  6. Ahahahahah
    "Não era muito atlético, mas notavam-se uns abdominais que queriam nascer para o mundo. Não dei importância"

    Oh Mark! Não deste importância? Até no teu próprio texto te fazes difícil! Brutal.
    Boa sorte para a próxima ida à praia!

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  7. Vasco, claro que reparei, não sou cego. :) Não é uma questão de ser "difícil". Apenas sou mais reservado. Não me entrego assim, de maneira fácil, embora não critique quem o faça, de maneira alguma. Há quem se impressione facilmente; eu não. :)

    Thank u. Abraço.

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  8. que texto maravilhoso.
    adorei a tirada :
    "Não era muito atlético, mas notavam-se uns abdominais que queriam nascer para o mundo. Não dei importância"

    conta-me histórias, sim sim :p

    hugs :)

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  9. Dei mais importância ao facto de me parecer simpático e afável, acredita. O resto foi um pequeno (talvez médio) pormenor. :)

    Abraço, Tiago. :)

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Um pouco da vossa magia... :)