29 de agosto de 2010

As Festivas



Ontem, enquanto estávamos na praia, passaram alguns homenzinhos a distribuírem uns papéis que anunciavam uma festa para a noite. É claro que a amiga da mãe quis ir à tal festa, não fosse ela uma festiva de primeiríssima qualidade. Como não quis ficar em casa sozinho, uma vez que não conheço ninguém por este lugar, decidi ir com elas.
Por volta das dez horas da noite saímos de casa em direcção à tal festa. O sítio, especificamente falando, tratava-se de um bar pertinho da praia. Estava cheio de pessoas. A mãe detesta misturar-se (tal como eu), mas já estávamos tão enjoados de repetir sempre a mesma rotina (praia - casa - restaurante - casa), que decidimos alterar pelo menos esta noite. O ambiente era leve e descontraído. Muito copo na mão, música daquela que eu detesto a desafiar o mais resistente dos tímpanos humanos e muita dança. A amiga da mãe foi logo buscar a sua bebida favorita, vodka com limão. Ela é aquele tipo bem típico. Loura, com quarenta anos, aparência de trinta e dois e idade mental de dez anos, vá lá, quinze... Casou aos vinte e oito com um empresário de cinquenta e muitos. Não resultou, pelo menos para ele, já que ela ficou com uma pensão fantástica e alguns imóveis. É uma emergente, na nossa linguagem. Uma nova rica, de forma a ser mais perceptível. As amigas da mãe não gostam muito dela por esse motivo, mas a mãe diverte-se na sua companhia e reconhece a sua fidelidade, depositando nela aquela confiança natural entre duas amigas.
A mãe bebeu o seu tradicional whisky e eu o não menos tradicional Ice Tea de limão. Não demorou muito até que a amiga da mãe quisesse ir dançar. Eu adoro dançar e, por isso, aceitei de imediato. No entanto, chegou a uma altura em que já estava a ficar com dores nas pernas. Mas ela continuava, com a sua energia inesgotável. Afastei-me e fui me sentar. Os homens reparavam imenso nela e na mãe. Verdade seja dita, a mãe continua óptima para a idade. Não tardou muito e a amiga da mãe arranjou uma companhia masculina para dançar. A mãe ficou comigo, sentada a beber o seu whisky, que a esta altura já ia no terceiro.
Confesso que estava bem saturado. Preferia mil vezes ter ficado em casa a ler um livro (Memórias de Adriano de Marguerite Yourcenar, que estou a adorar), a colher algumas flores do jardim da casa de praia da avó para fazer um arranjo ou até mesmo a escrever.
Para além disso, encontrei na festa aquele casal de namorados! Aquele da praia, em que um deles reparou em mim. Foi toda a noite a olhar para mim enquanto bebia, a afastar-se pensando que eu iria ao seu encontro, etc. Uma rapariga comentou com a amiga qualquer coisa sobre o meu cabelo e notei que ambas gostaram dele.
Bom, cheguei a casa às quatro da madrugada. A amiga da mãe bêbeda, como eu nunca a tinha visto (tanto!). A mãe também estava tocadinha... E eu, pobre de mim, sóbrio como uma gaivota ao alvorecer a aturar aquilo. Ainda pensei em deitá-la, mas ela é pesada. Ficou no chão mesmo. Está calor e pode ser que acorde com uma dor nas costas para aprender, o que eu duvido.
Com tudo isto, hoje não fui à praia, nem de manhã e nem irei de tarde. Estão enjoadas. Também estou a ficar um pouco cansado de praia. É sempre a mesma coisa... Mar, areal, sol... Sou muito pouco dado à rotina. Gosto de inovar. Mas uma das maiores inovações está para breve (faculdade). Ainda irei clamar por praia!

11 comentários:

  1. Ai, quando estiveres na faculdade vais ter imensas saudades da praia!!! Até vais pedir férias!

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  2. Não me pareces nada a pessoa que seja dada a inovações. Não pelo que descreves de ti nem pelo que preferias ter ficado a fazer em casa ao invés de que passaste na festa.
    Dá a ideia que te retrais demais, analisas demais as pessoas ao teu redor e não és livre livre, não vives a vida nem a aproveitas devidamente. Não digo que o faças... mas dás-me, a mim pelo menos, essa sensação... a sensação de que estás mais preocupado com as aparências e com o que os outros pensarão de ti e das tuas atitudes. Coisas que parece que querias fazer mas não o fazes porque não “é bem” porque estás dentro de um mundo só teu… que julgo só tu o conheceres devidamente.
    Eu acho que devemos aproveitar todos os momentos como se fossem especiais, buscar as coisas boas em tudo o que se faz em vez de pensar que aquela está tocada ou que não sei mais quem é a típica isto ou aquilo.
    Se calhar deverias arranjar o teu grupo de amigos ao invés de partilhares os amigos da tua mãe pois, pelos vistos, não é agradável para ti e julgo não ser o melhor para eles também.
    São pessoas diferentes, realidades diferentes e acho que se não estamos bem temos de ir em busca do que nos fará estar.
    Na faculdade as coisas vão ser diferentes, é um local onde poderás evoluir muito mais e onde terás uma perspectiva diferente de ti e do que te rodeia, desejo-te as melhores felicidades nessa nova etapa!

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  3. O meu reflexo: Creio que sim. :)


    Ritchie: Nós temos o hábito de passar as férias juntos. Os meus amigos também o fazem com as suas respectivas famílias. São formas de estar na vida completamente diferentes. E, para teres uma ideia, houve um ano em que organizámos umas férias juntos e foi um desastre, tanto na alimentação como no ambiente, pelo menos para mim. Demasiada irresponsabilidade.
    Para além disso, gosto de estar com a mãe, uma vez que durante o ano passamos pouco tempo juntos. Ela sai de manhã para a empresa e volta tarde.
    Se eu quisesse, podia estar com os avós que estão no Alto Alentejo ou até mesmo com o pai, que vai até Cuba. :)
    Prefiro estar na companhia da mãe, sempre.
    Quanto ao facto de eu não te parecer uma pessoa dada à inovação: gosto sempre de inovar, mas mantenho o que não pode e não deve ser alterado.
    Obrigado pelos teus votos de felicidade na faculdade. Para ti também.

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  4. Mark... A faculdade vai mudar-te muito. ;)
    Mas prepara-te. Tu não vais clamar, tu vais DESESPERAR por praia e férias. XD

    (Não posso falar muito que agora o meu segundo ano vai ser mais difícil que o primeiro... ai...)

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  5. Gosto da tua mãe, dessa "irresponsabilidade" saudável. OK: parece ter bebido um whisky a mais, mas faz falta, por vezes, abusar da diversão. E acredita que qualquer dia ainda é ela a deitar-te na cama, depois de regressares das noitadas com os colegas de faculdade.

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  6. Tu és uma pessoa absolutamente diferente...
    Eu sou em quase tudo, o oposto de ti, mas admiro a tua coerência e frontalidade com que contas as tuas diferenças.
    Mas penso que a Universidade te vai fazer muito bem, pois mesmo que o não queiras, vais ser obrigado a conviver com pessoas diferentes e a ter atitudes diferentes.
    A família é o melhor que temos (além da pessoa que amamos), mas não podemos estar sempre ligados a ela, precisamos de libertar as nossas coisas, de termos a nossa vida pessoal, muito própria, os nossos segredos.
    Vais aprender isso com a idade. Não me leves a mal, gosto muito de ti.
    Abraço.

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  7. Vasco: É o que todos dizem: «Aproveita que ainda vais chorar por férias...»
    Força para o segundo ano. ;)

    Speedy: A mãe gosta de beber o seu whisky. :) Mas - e não é por ser minha mãe que digo isto - é uma mulher excepcional. Amiga do seu amigo e tem um grande coração.
    Até acredito que venha a fazer noitadas, mas sem álcool, porque não gosto mesmo. xD

    Pinguim: Pois, eu sei que a Universidade vai abrir os meus horizontes. Tenho consciência que ainda estou muito "verde". :) E, claro, gradualmente vou afastar-me da mãe. A vida é assim, apesar de me custar um pouco aceitar esse facto.
    Nada levo a mal vindo de ti. És daquelas pessoas por quem nutro um grande carinho. Também gosto muito de ti. :)
    Abraço grande.

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  8. Pois foi . Também gosto de ice tea e vodka de limão ahahah :p

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  9. Por acaso bebo muito ice tea xD

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Um pouco da vossa magia... :)