24 de junho de 2010

A Alma não se entrega.



Tudo em mim pode ser oferecido, dado ou até mesmo cedido. Posso estar longe de ti, sonhando-te com a minha mente, beijando os teus lábios irreais e distantes e vendo o teu sorriso que esboças, embora saiba que não é para mim. Posso entregar o meu corpo à perdição e ao desejo de quem o quer, à loucura sadia que nos toma em dias que são mais longos do que a própria eternidade, porém, a minha alma não está à venda, nem à cedência de quem a queira por capricho ou por mero desafio a ser ultrapassado. A minha alma é tua. Tão tua como outrora, tão tua como nos dias em que me amavas mais do que a própria vida. Nesses dias em que te perdias na imensidão dos meus braços, pedindo, implorando, que te abraçasse e lançasse o medo num abismo profundo. Está à tua espera, como nas tardes em que adormecias a meu lado depois das aulas. Quer ouvir de novo o bater ligeiro do teu coração, sentir a tua respiração e soprar suavemente sobre a tua pele nua e despida de fantasmas. Esses ficavam lá fora. Continua eternamente à espera do teu regresso como um todo, como nos meses cujo nome eras tu e eu.
Consegues dissociar alma de corpo, material, vil e sujo? Não creio. Entregas tudo a quem quer. Nada guardas para ti. Perdes-te nos meandros da paixão súbita e louca. Perdeste o ser, a substância da vida e a tua alma. Essa que tinhas e deixaste fugir como um pássaro ávido de liberdade.
Já não vejo nada em ti. Perdi-te como um todo.
Resta o vazio onde, em tempo imemoriais, habitou uma alma doce e pura.

1 comentário:

  1. MUITO POÉTICO LI ESCUTANDO UMA MÚSICA DO bRYAN aDANS, ATÉ ME EMOCIONEI

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Um pouco da vossa magia... :)