11 de abril de 2010

O Presente

Amanhã é o dia do aniversário do primo Samuel. Faz 25 anos. Geralmente compro sempre os presentes com algum tempo de antecedência mas, não fosse a minha fantástica agenda de acontecimentos sociais e familiares, tenho a certeza de que não me recordava. O Samuel é um querido, ficaria, de certo, bem desapontado em relação a mim. Convidei a Só para vir comigo. Ela tem uma intuição óptima para comprar presentes. Não é que eu não tenha, no entanto, ela tem sempre ideias inovadoras. Sugeri que fôssemos ao El Corte Inglés, mas ela convenceu-me a ir ao Colombo. Deus sabe como eu odeio aquela coisa medonha. As únicas lojas em que comprei alguma coisa foram a Bershka, a Massimo Dutti e a Salsa. Nunca comprei nada naquela coisa para oferecer. Em toda a minha vida fui lá raríssimas vezes. Enfim...
Quando chegámos, obrigou-me a entrar em tudo o que é loja de roupa. Fi-la voltar à Terra, lembrando-lhe que estávamos ali para comprar o presente do Samuel. Andar com a Só é uma caturreira, apesar de todos os seus devaneios pós-adolescência. Sentámo-nos num banco a pensar no que comprar. O Samuel é o típico rapaz de 24 anos, alto, moreno, magro e de namorada incerta. Já conheci tantas... É sensivelmente o mesmo que o Pedrinho, embora menos presunçoso. Um perfume seria óbvio demais; roupa é do mais deselegante que se pode oferecer quando não sabemos o gosto certo da pessoa em questão... Não restavam muitas hipóteses. Até que a Só dá um palpite fantástico. Um livro. Que ideia estupenda. O Samuel gosta de ler, creio. E se não gostar, um livro é sempre um livro. Fomos à Fnac. No entanto, fiquei a pensar que talvez não fosse uma ideia assim tão boa. E se ele não gostasse minimamente? Até que passei por uma biografia do Michael Jackson. Eu sei que o primo gosta dele. Aproveitei e trouxe também, para mim, um livro de poemas da Florbela Espanca, que acho que é do melhor que há. Eu sou assim; tenho de trazer sempre um miminho para mim.
Depois de comprarmos os livrinhos, ainda tive de passar no McDonald's, onde a Só se lambuzou com um menu. Comeu aquilo tudo. Eu não quis nada. Engorda imenso. Nem morto. E depois, estou a pensar em aderir ao vegetarianismo. Ganhei fobia a tudo o que é carne.
Ainda pensei que naquela coisa existisse papel fantasia, mas nada...
Quando chegámos a casa, embrulhei o livro num pouco de papel fantasia que estava esquecido numa gaveta, coloquei um laço e prontinho. Amanhã vamos à casa da tia, onde estarão vários primos e os avós. Vai ser um lanche informal, apenas para festejarmos o seu aniversário. O Samuel, há uns anos, não era nada de especial, opinião minha, mas agora 'tá giríssimo. Espero que goste do presente. O melhor presente que ele poderia ter era uma namorada nova. Esta última tem um ar vulgar, de perua... Nem quero imaginar onde ele a terá ido arranjar.
Pensando bem, é o presente ideal: ele lê as legendas, ela vê as fotografias, que duvido que saiba ler (exagero...^^).

3 comentários:

  1. Parabéns ao primo!

    E que final estrondoso! :)

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  2. Obrigado, Angelo.
    Ela tem assim um ar de tontinha que nem imaginas. :)

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  3. Eu bem digo: escreve um livro!
    Escreve! Não podes ficar apenas neste canto. É que quem começa a ler-te agora, nem imagina a riqueza dos textos tu tens!
    Mark: pensa nisso!
    Um abraço com o maior carinho :)

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Um pouco da vossa magia... :)