8 de janeiro de 2010

Dia G - A Emancipação

Hoje será um dia recordado por muitas gerações como o dia em que a Liberdade e a Democracia vingaram frente ao fanatismo e conservadorismo religioso e político de alguns sectores da sociedade portuguesa. Há poucos minutos atrás foi aprovado o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, com os votos favoráveis de toda a Esquerda parlamentar. Uma vitória esmagadora e um avanço civilizacional sem precedentes no nosso país. Hoje, o ar português é mais leve. Hoje, todos podemos levantar a cabeça e impor o respeito que nos é devido com mais força e legitimidade. Hoje, demos um passo significativo na luta contra a homofobia e a intolerância. Tal como aprendi desde sempre, nada nem ninguém pode impedir a marcha do progresso.
Agora, cabe a cada um de nós enquanto cidadãos escolhermos se queremos ou não casar, porém, com a certeza que se o quisermos, podemos fazê-lo livremente e sem restrições legais. É um facto que a adopção ficou de fora, mas tal como disse anteriormente, tudo tem de ser feito com calma e ponderação. Um dos maiores avanços foi dado hoje. A homofobia e o preconceito não terminam, todos sabemos disso, mas a partir de hoje o preconceito fica mais isolado no seu errático e solitário caminho. É uma luta perdida. Eles sabem-no. Relembro que se trata da primeira votação; o diploma terá de passar pela votação na especialidade e pela promulgação necessária do Presidente da República. Todavia, mesmo que nem todas as fases deste processo sejam ultrapassadas facilmente, a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo é inevitável devido à maioria parlamentar que é favorável à aprovação deste diploma. É seguro dizer que temos uma realidade concreta apesar de ainda não ser palpável na prática.
Fazendo uma analogia e um enquadramento à realidade portuguesa, qualifico este dia como o Dia G, à semelhança do Dia D que trouxe a liberdade e a vitória dos Aliados para o mundo, no célebre Desembarque na Normandia. Bem a propósito, acabei de dar a II Guerra Mundial a História.
Esta é outra guerra, ideológica e política, mas este dia não deixa de ser um marco importante não só na nossa realidade nacional, mas também internacional. Portugal figura assim na lista, ainda pequena, de países mais democráticos e liberais.

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