3 de setembro de 2009

Farinelli

Carlo Maria Broschi (17o5 - 1782) mais conhecido pelo seu pseudónimo Farinelli, foi uma personagem histórica que me encantou desde sempre. Famoso cantor lírico italiano do século XVIII, talvez uma das suas características mais conhecidas seja o facto de ter sido um castrato, ou seja, para quem não conhece a palavra, um rapaz que na sua infância foi castrado de forma a manter a voz de soprano que com a puberdade e o aparecimento das características sexuais secundárias iria desaparecer. Na época era costume castrar os rapazes pobres ou da baixa nobreza que demonstravam apetência para o canto lírico. A Igreja Católica não permitia a entrada de mulheres nos coros, logo esta era a única maneira de substituir as vozes de soprano. Triste destino o destes rapazes, que apesar de terem o mundo a seus pés, estavam privados de viver a sua sexualidade de forma normal. Farinelli foi o expoente máximo dos castrati na Europa do século XVIII e seguramente foi o castrato mais conhecido de sempre pois a sua voz era verdadeiramente impressionante, de tal forma que encantou a corte de Fernando V e seu filho, Fernando VI de Espanha. Encantou as cortes europeias, provocou o delírio de muitas mulheres (e de seguramente muitos homens...), mas não consigo deixar de imaginar todo o sofrimento inerente à amputação dos órgãos sexuais. Era a mutilação genital dos séculos XVI, XVII e XVIII, tal como hoje é praticada a muitas mulheres de tribos primitivas em África. Um verdadeiro horror, justificável apenas pela beleza das famosas árias e pelo período cronológico, como é natural. Os castrati só desapareceram no século XIX, tal era a sua importância. Pois bem, também é importante que o mundo saiba quem foi um dos maiores cantores líricos de sempre.
Menos homem fisicamente, mas com a voz que o elevou ao patamar dos deuses.

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